A matéria apresentada pelo Fantástico*, no dia dezoito de março, sobre o esquema de propina na licitação pública é mais uma vergonha, dentre tantas outras que presenciamos diariamente em nosso país.
É importante ressaltar que a reportagem foi algo incomum no jornalismo brasileiro, afinal um órgão público (o hospital do Rio de Janeiro) abre suas portas para que um jornalista assuma o cargo de gestor de compras e filme (em segredo, obviamente) os esquemas de licitação. O resultado foi um escandalo onde quatro empresas, que estão entre as maiores fornecedoras do governo federal, oferecem propina e abrem o jogo sobre os esquemas de falsas licitações.
A obrigatoriedade de toda empresa que presta serviços para hospitais públicos disputar uma licitação, se mostra como mera burocracia a ser burlada pelos maiores interessados. Teve gerente de empresa dizendo que sempre faz isso, que existem concorrências que ele nem sabe que participa, referindo-se ao processo que conta com outras empresas oferecendo o mesmo serviço por um preço mais alto, para perder propositalmente e ter o mesmo favor numa próxima licitação, formando um cicllo comercial.
Após assistir a reportagem é inevitavel pensar quantas coisas que afetam diretamente o cidadão e que não tomamos conhecimento. Ou, o que é pior, tomamos conhecimento, mas não sabemos ao certo como agir, em que ponto cobrar, ou onde, ou a quem.
Que a saúde pública é ruim, que a educação no Brasil deixa muito a desejar, que os políticos roubam inescrupulosamente, todos sabem. Mas o que fazer para deixar de ser sempre o mesmo discurso batido? O mesmo esbravejar de causas, pelas redes sociais, sem nenhum resultado? São perguntas que latejam em nossas cabeças quando nos deparamos com reportagens e noticias desse tipo.
Essa fala de que somos todos sossegados, conformados e blablabla, não fará sentido enquanto perguntas como essas não forem respondidas. Enquanto não se fazer valer o cidadão que conhece seus direitos civis e politicos, amparado por um Estado que forneça igualdade de informações e transparêcias, para juntos formarem uma sociedade com atitudes concretas e ações efetivamente significativas, fraudes assim continuarão acontecendo e afetando todos os direitos básicos comuns a todos os cidadãos.
* Matéria feita por Eduardo Faustini e André Luiz Azevedo.
Por Renata Souza.