“Nunca, desde os primeiros passos em jornal, acreditei na famosa “imparcialidade” que se pede ao jornalismo. A “imparcialidade” que a boa fé reclama, quando existe (e em alguns casos existe), corresponde a uma castração da personalidade do redator. Todos nós temos uma posição diante do mundo, que pode ser a melhor ou pode ser a pior, mas a temos. Essa posição está associada à nossa identidade essencial. O jornalista pode ser rigoroso na descrição dos dados, mas será muito dificil evitar a simpatia por uma ou outra pessoa envolvida, por uma ou outra idéia em jogo. José Calazans Filho, grande companheiro de jornal, um pouco mais velho, deu-me a chave precisa no dia em que o consultei sobre uma matéria envolvendo pessoas importantes da cidade: “Se você não conseguir ter uma visão muito clara da situação e não tiver tempo para investigar a fundo, fique com a parte mais débil. A injustiça contra o forte, mesmo que seja detestável, como toda injustiça, é melhor do que a injustiça contra o fraco. O forte consegue restabelecer a verdade e recuperar a credibilidade. O pobre, ao perder a reputação, desgraça-se para sempre.”
(Mauro Santaya do livro Reporteres – Audálio Dantas)
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